22.12.06

A fuga, a praia e o caderno

Imagine a praia com todas as suas cores, ou com os azuis-cinzas e os beges apagados. Imagine a praia, gostando ou não dela. É lá que me levo quando bloqueio a realidade que me cerca. Quando a cabeça pesa, os braços não sabem onde se por, quando o corpo não dorme, nem para quieto, imagino a areia fina, depois a areia de brincar de castelo e encontrar as mãos, depois a areia molhada e as algas, ostras e tatuíras. Imagino a areia fina que vem com o vento característico do litoral e que roça as pernas. Imagino-me sentando na areia do meio, onde se constroem as tartarugas gigantes, debaixo de um guarda-sol, protegido, com os pés ardidos de queimados, o dorso vermelho coberto por alguns grãos de areia mal batidos. Olho três gaivotas e a chegada de uma quarta. Elas desenham pegadas em ipsilone na areia mais pesada, catam restos de minipeixes e brincam, brigam, se entendem e voam. Do meu lado tenho um caderno sem linhas e uma caneta azul. Ali eu penso na maneira mais perfeita de descrever o momento, mas de tanto pensar, hesito em gravar a primeira palavra. O vento às vezes sopra forte, outras vezes fraco. De vez em quando some e me deixa bem sozinho, mas sei que ele volta.

2 comentários:

maria . disse...

sabe que as vezes hesito escrever em meu caderno sem linhas por puro ciúmes de meus sentimentos. sabendo que as palavras não lhe serão fieis, guardo-os só para mim, bem no fundo do meu coraçao.



saudade nando.
saudade.

Anônimo disse...

é dificil de descrever uma coisa que sentimos tão forte e com uma paisagem tão única. e tão igual. o que está por dentro é o que muda a paisagem...
esta praia de um caderno que escreve de melancolia.

Elisa
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