Hoje me sinto vulnerável.
Prodigiosamente inconstante e indiscreto.
Não escondo sentimentos tão logo quanto possível.
Bate na janela o vento,
E sinto que, ao longo dos minutos
Sou mais velho e disposto.
Ouso dizer que os que não se arriscam perdem tempo.
Os que não ousam, não se sustentam.
Arrisco um sopro no ouvido,
mas pode ser pretensão.
Chega de tanto muro.
Quero descer.
O novo é inspirador,
não para todos.
Quero fugir de agora para sempre
destas zonas de conforto.
Por que não dormir uma hora a menos,
se amanhã sabemos, que, este minuto a mais
vai ter rendido por vinte e quatro novas horas?
Por que é preciso estar estabelecido,
que somos amigos,
que temos uma profissão,
que buscamos carreira,
que não passa disso,
que só bebemos aos sábados e,
ainda assim, mal nos vemos.
Que só falamos do básico, do almoço ao café.
Sequer tocamos no assunto
do que nos atinge num domingo fim de tarde.
Ou numa segunda-feira vespertina?
O dinheiro nos deixa em casa.
Nosso medo nos deixa em casa.
Nossa retidão nos deixa para trás.
Por que insisto em ter dezenove anos tendo vinte e seis?
Acho que busco algo que nem sei.
27.12.09
15.6.09
Fim de domingo
Estava junto de ti.
Simples e tranquilo.
Não queria despertar do sono.
Estava revisitando o sonho.
Senti água fria no rosto.
Solucei negações a mim mesmo.
Mexendo os lábios, sem som.
Não pude escolher nem ser ouvido.
Me contrariando,
Pus a mochila nas costas e parti.
Simples e tranquilo.
Não queria despertar do sono.
Estava revisitando o sonho.
Senti água fria no rosto.
Solucei negações a mim mesmo.
Mexendo os lábios, sem som.
Não pude escolher nem ser ouvido.
Me contrariando,
Pus a mochila nas costas e parti.
15.4.09
SOLTO
Gosto pelo desprendimento. Ter certa resistência às coisas permanentes. Há uma ligação imaginária entre tudo, mesmo quando está flutuando no espaço, como um peixe a que nada se prende. Como um barco sem forquilhas para prender os remos.
A informação está solta, as emoções e a razão estão soltas. Há liberdade de idéias e de julgamento. Há maneiras livres e soltas de perceber a vida sobre todas as perspectivas possíveis. Há pontos de vista de perceber a razão e a espiritualidade. Há maneiras nada fixas de ver uma mesma verdade e de expressá-la.
A informação está solta, as emoções e a razão estão soltas. Há liberdade de idéias e de julgamento. Há maneiras livres e soltas de perceber a vida sobre todas as perspectivas possíveis. Há pontos de vista de perceber a razão e a espiritualidade. Há maneiras nada fixas de ver uma mesma verdade e de expressá-la.
26.12.08
Mais sentimento
Não tenho vergonha de dizer, por mais que isso soe como explicação, que por vezes, por várias vezes sou mais sentimento que razão.
Segredo
Simples, tenho um desejo quando te vejo. Te chamo pra perto prometendo contar um segredo e, ao pé do ouvido, brusco, giro e roubo um beijo.
Me olha com sorriso confuso, se afasta. Me olha e volta, com sede.
E o canto esquerdo da minha boca sobe, indicando um sorriso tímido e esfusiantemente realizado.
Me olha com sorriso confuso, se afasta. Me olha e volta, com sede.
E o canto esquerdo da minha boca sobe, indicando um sorriso tímido e esfusiantemente realizado.
30.11.08
Como me agradar
Pra me agradar é fácil. Fiquei pensando nisso agora no fim da tarde deste sábado quente e calado. Gosto dos olhares que transmitem sossego e desapego. Sempre me encantei por duas coisas na vida. Esse tipo de olhar e a espontaneidade. Me encantam os autênticos, as pessoas que riem de si mesmas, os olhares ou reações que dizem tudo, os "prontofalei". Gosto de ter perto de mim os que me provocam um gancho de sorriso no canto da boca quando os vejo e que sei que vou me divertir ou simplesmente me sentir à vontade estando perto. Gosto dos que não precisam mudar o tom ou reorganizar as palavras quando falam. Gosto tanto de ter perto de mim os que simplesmente são.
20.11.08
alguém aí fora?
Cinza escuro mal tira os fones de ouvido e observa que ali, no mundo de fora as coisas andam estranhas. Sente uma sede voraz, convite ao bar mais próximo e uma necessidade absurda de dar um abraço. Longo, forte e despretensioso. Logo se questiona se algum abraço pode não ter pretensão. Tem calma por fora e borboletas no ventre. Mas sem os fones, o que lhe garante de que vai estar cercado de segurança? Espia mais uma vez ali fora, e, ninguém por perto. Volta para o paralelo.
19.11.08
Como antes
Sinto e lembro
perdido e solto
neste novembro
que a sede da mudança
que treme minha espinha
iça vela branca no mar da insegurança
como remos sem forquilhas,
feito o peixe a que nada se prende.
perdido e solto
neste novembro
que a sede da mudança
que treme minha espinha
iça vela branca no mar da insegurança
como remos sem forquilhas,
feito o peixe a que nada se prende.
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